FRIDA: Abordagem Temática 2019

Em 2019, o programa FRIDA irá focar seu financiamento em dois temas prioritários: Redes Comunitárias e Tecnologias e Gênero.

FRIDA trabalha em três eixos temáticos: Inovação para o desenvolvimento da Internet, Internet e tecnologias para a participação, e Internet e tecnologias para o bem das comunidades. O fosso digital e a disparidade de gênero na tecnologia são dois desafios transversais que afetam esses três eixos temáticos e sobre os que o programa irá focar em 2019.

Redes Comunitárias

Conectar o próximo trilhão é talvez um dos problemas mais urgentes e desafiadores nos esforços para impulsionar o desenvolvimento da Internet. Estima-se que 38% da população da América Latina e o Caribe não tem acesso à Internet. De acordo com a CEPAL, apesar do crescimento da penetração da Internet na região, as diferenças no acesso entre as áreas rurais e urbanas, e entre os diferentes níveis de renda ainda persistem. As redes comunitárias oferecem uma via para que comunidades remotas, atualmente desatendidas, se organizem para desenvolver soluções locais que lhes permitam acessar a Internet. A expressão “redes comunitárias” no contexto desta chamada refere a redes de acesso à Internet, construídas e operadas por cidadãos que querem conectar a sua comunidade, cidade ou vilarejo. Às vezes estas redes têm alcance limitado e geralmente operam em comunidades com menos de 3.000 pessoas, embora haja casos de redes que conectam mais de 50.000 usuários. FRIDA procurará apoiar inovações em modelos de negócios, regulamentação, desenvolvimento de tecnologias e desenvolvimento de conteúdos locais que contribuam para o crescimento das redes comunitárias. Exemplos de projetos financiados pelo FRIDA incluem AlterMundi com o desenvolvimento do Libre Router e a Universidade Estadual de São Paulo com a Radio Amazônica Digital.

Para obter mais informações sobre o que abrange uma rede comunitária, é recomendável visitar a seguinte descrição da Internet Society: https://www.internetsociety.org/issues/community-networks/.

Gênero e Tecnologia

A disparidade de gênero na tecnologia continua sendo um desafio na América Latina e o Caribe. Numerosos estudos indicam que as mulheres usam menos Internet na região e que o uso da Internet é maior nos países onde há maior equidade de gênero. O acesso das mulheres e meninas à tecnologia é influenciado, em primeiro lugar, por uma disparidade nas habilidades digitais. Embora o acesso à educação na região seja amplo, os problemas ligados à falta de infraestrutura e apoio à educação digital impedem o acesso e uso da Internet e das tecnologias.

A disparidade de gênero se estende ao envolvimento de mulheres, não apenas como usuárias, mas também como produtoras de tecnologia. De acordo com as estimativas do BID, apenas 11% das mulheres da América Latina e o Caribe que completam seu ensino superior, são formadas em disciplinas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). No mundo empreendedor, o Banco Mundial estima que apenas 7% das startups tecnológicas são lideradas por mulheres. Essa desigualdade, por sua vez, afeta o acesso das mulheres às oportunidades de trabalho em tecnologia, incluindo a indústria da Internet, um setor que com certeza vai ter um crescimento exponencial nas próximas décadas. Desta forma, acelerar o envolvimento das mulheres na tecnologia é uma estratégia para o empoderamento econômico das gerações futuras. Finalmente, a tecnologia replica as desigualdades de gênero na esfera digital, o que torna fundamental o trabalho sobre os direitos digitais das mulheres e meninas e a apropriação da Internet como espaço público para exercer direitos e liberdades.

Em resposta a esses desafios, o Programa FRIDA vai concentrar seus esforços no apoio a projetos inovadores que promovam a igualdade de gênero e a liderança feminina na indústria da Tecnologia e da Internet. Poderão ser candidatados projetos focados em desenvolver habilidades digitais entre mulheres e meninas, incentivar a participação das mulheres nos mercados digitais e carreiras em tecnologia, implementar estratégias para a defesa de direitos digitais e maior segurança e inclusão de mulheres e meninas online; e apoiar o envolvimento das mulheres na implementação da infraestrutura da Internet para promover o acesso e a adoção da Internet.

Exemplos de iniciativas incluem Coding Rights, vencedora do Prêmio FRIDA para Mulheres na Tecnologia, e finalistas da chamada 2017.