O Fundo Regional para a Inovação Digital na América Latina e o Caribe (FRIDA) forneceu apoio financeiro ao projeto Mapeamento Digital para desenvolver uma metodologia que permita identificar fatores e áreas de risco em assentamentos da área metropolitana da Guatemala.

Mediante um subsídio, FRIDA promoveu esta iniciativa que visa ajudar a simplificar e priorizar políticas públicas nesses territórios da Guatemala.

Segundo suas promotoras Onice Arango e Andrea Valladares, é um projeto tecnológico de mapeamento participativo de riscos sociais e territoriais que pretende se tornar um referente de participação multissetorial na criação de informações e diagnóstico urbano.

Em que consiste o projeto Mapeamento Digital de assentamentos da Guatemala e como surge a iniciativa?

Mapeamento Digital é um projeto de mapeamento participativo de riscos sociais e territoriais em áreas vulneráveis impulsionado por Perpendicular (https://www.perpendiculargt.com/), iniciativa que fundamos em parceria com diferentes atores com o objetivo de realizar pesquisa-ação para a solução de problemas urbanos.

A proposta surge depois da morte de 266 pessoas em uma comunidade vulnerável a deslizamentos de terra

A proposta está centrada em dois eixos. Um deles é institucional, que busca promover espaços de reunião que fortaleçam a rede de atores e validem a integração no contexto guatemalteco do projeto. O outro eixo é comunitário: através de uma série de oficinas participativas e uso de tecnologia procuramos identificar áreas de risco em cada território, através do mapeamento do conhecimento coletivo de sua população, ao mesmo tempo em que esses habitantes são treinados para poder identificar esses riscos.

Como funciona a coleta de dados com drones e o seu georreferenciamento no terreno através de um aplicativo?

As informações são coletadas e georreferenciadas durante diferentes etapas do processo. A primeira é o vôo do drone que permite gerar uma fotografia atualizada da comunidade com a qual trabalhamos durante as etapas do mapeamento comunitário.

Assim mesmo, usamos o app Co-Mapp (http://co-mapp.org/) desenvolvido pelo Observatório do Direito à Moradia do México para realizar um levantamento socioeconômico por domicílio. Este aplicativo nos permite georreferenciar o local onde o levantamento é realizado e vincular os dados com a foto do assentamento liquidação através do programa Quantum GIS.

Como conseguiram envolver à comunidade no reconhecimento e mapeamento de seu território?

Formamos diferentes alianças com atores estratégicos, e um deles foi TECHO da Guatemala. Graças ao seu vínculo com as comunidades, conseguimos nos encontrar com os líderes comunitários, apresentar os objetivos do projeto e definir seu interesse em realizar o Mapeamento Digital em sua comunidade e a oportunidade de nos dar um acompanhamento de perto durante sua implementação. Depois foi necessária uma assembleia comunitária para divulgar o projeto, discutir suas etapas e definir datas.

Que dados de riscos dos assentamentos foram obtidos a partir da realização dos primeiros mapeamentos feitos sobre as áreas de estudo?

Através do mapeamento realizado obtivemos dados qualitativos e quantitativos de quatro comunidades. Os dados qualitativos coletam informações sobre a infraestrutura existente na comunidade e áreas circundantes, listado de ameaças prioritárias da comunidade e dos lares, número de habitantes e a forma como são afetados, quais as capacidades que eles têm para enfrentar uma ameaça e que projetos possíveis a nível comunitário seriam viáveis para reduzir a sua vulnerabilidade.

Os dados quantitativos estão centrados mais na coleta de dados por lares relacionados à renda, serviços de saúde, educação, espaços de moradia, segurança social e serviços básicos, o que permite medir a pobreza de forma multidimensional. Além disso, em casas selecionadas, foi aplicada uma ferramenta projetada para a área metropolitana que permite determinar a susceptibilidade e a exposição ao risco de pequenos deslizamentos de terra.

Esses dados estão sendo socializados com diferentes instituições públicas e organizações, a fim de influenciar na tomada de decisões e ações, explorando seu valor e a importância de continuar com a coleta dos mesmos.

Quais os resultados obtidos desde que receberam o financiamento de FRIDA?

Durante um ano conseguimos mapear quatro comunidades vulneráveis e envolver ativamente 220 habitantes nesses processos. Também conseguimos socializar a metodologia com mais de 30 instituições e organizações públicas, privadas e do terceiro setor, bem como fortalecer nossas alianças com atores-chave para a sustentabilidade do projeto.

Devido à experiência adquirida e à sinergia com diferentes atores, coorganizamos o Primeiro Encontro de Resiliência Urbana da Área Metropolitana, iniciando uma discussão entre diferentes setores sobre as ações e limitações da intervenção em assentamentos informais.

Finalmente, Perpendicular se posicionou como uma iniciativa de inovação social em questões de resiliência, e outras oportunidades continuam surgindo nas áreas de pesquisa-ação em áreas vulneráveis.